Os Estados Unidos e o Irã voltaram a sinalizar avanços nas negociações para encerrar a guerra iniciada em fevereiro deste ano e restabelecer a circulação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural.
A expectativa de um acordo ganhou força após declarações do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador entre as partes. Neste sábado (13), ele afirmou que as conversas avançaram e que um entendimento poderá ser concluído nas próximas 24 horas.
Segundo Sharif, o governo paquistanês já se prepara para uma possível assinatura eletrônica do documento e para uma nova rodada de negociações técnicas prevista para a próxima semana.
Apesar do otimismo, ainda não há confirmação oficial sobre uma data para formalização do acordo. A Casa Branca não comentou o estágio atual das negociações, enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que nenhuma assinatura ocorrerá neste domingo, sem descartar a possibilidade de avanço nos próximos dias.

Programa nuclear segue no centro das negociações
Um dos temas mais sensíveis das tratativas continua sendo o programa nuclear iraniano.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes relacionados às atividades nucleares do país deverão ser discutidos em até 60 dias após a assinatura de um acordo inicial. O prazo poderá ser prorrogado caso haja consenso entre as partes.
Estados Unidos e Israel mantêm a posição de que o programa pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas nucleares. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que suas atividades têm finalidade exclusivamente civil e pacífica.
Segundo um integrante do governo norte-americano ouvido sob condição de anonimato, o entendimento em negociação prevê o início da remoção ou destruição do estoque de urânio altamente enriquecido mantido pelo Irã.
De acordo com a fonte, o período de 60 dias serviria para definir os aspectos técnicos da operação, incluindo a destinação do material armazenado em instalações nucleares que já foram alvo de ataques militares nos últimos meses.
Reabertura de rota estratégica
Outro ponto considerado fundamental é a retomada da navegação no Estreito de Ormuz.
A passagem marítima é uma das mais importantes do planeta para o escoamento de petróleo e gás natural e sua interrupção durante o conflito provocou impactos no mercado internacional de energia.
A redução do fluxo de embarcações elevou custos logísticos e contribuiu para pressões sobre os preços de combustíveis, alimentos, fertilizantes e outros produtos em diversos países.
Segundo autoridades americanas, o acordo em negociação inclui mecanismos para normalizar o tráfego na região.
O governo iraniano, entretanto, pretende manter a cobrança de taxas para embarcações que utilizem a rota. A medida foi adotada durante a guerra e recebeu críticas de governos ocidentais, que alegam incompatibilidade com normas internacionais de navegação.
Sanções podem ser flexibilizadas
Fontes regionais ouvidas pela agência Associated Press afirmam que o texto também prevê a retirada gradual de parte das sanções econômicas impostas ao Irã.
O entendimento incluiria ainda a liberação de ativos financeiros iranianos congelados no exterior, tema considerado prioritário por Teerã nas negociações.
Segundo as mesmas fontes, os governos dos Estados Unidos e do Irã ainda aguardam aprovações internas antes da conclusão do processo.
Líbano continua sendo obstáculo
Apesar dos avanços, um dos principais impasses permanece relacionado ao conflito no Líbano.
O governo iraniano defende que qualquer acordo abrangente inclua um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã e que mantém confrontos frequentes com forças israelenses.
Na sexta-feira (12), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país pretende preservar liberdade de ação militar diante de ameaças relacionadas ao Irã e não demonstrou disposição para retirar tropas de áreas ocupadas no Líbano, na Síria, em Gaza e em regiões da Cisjordânia.
Os confrontos no sul do território libanês continuaram neste sábado, evidenciando que, mesmo com avanços diplomáticos entre Washington e Teerã, a estabilidade regional ainda depende da solução de disputas paralelas que seguem em andamento.
reuters
