O deputado estadual Pedro Caravina, presidente do PSDB em Mato Grosso do Sul, afirmou que a legenda projeta a conquista de uma das oito vagas de deputado federal no Estado nas próximas eleições, considerando a nova modulação do STF (Supremo Tribunal Federal) para a distribuição das sobras eleitorais.
Segundo o dirigente, a alteração jurídica que eliminou a exigência do quociente eleitoral mínimo para a participação na segunda sobra de vagas tornou a chapa competitiva em relação a partidos aliados da base governista, como o PP, o PL e o Republicanos.
A declaração dá tom de ‘guerrilha’ para suspeitas de fogo amigo envolvendo desistências na chapa tucana. Caravina disse que o assédio de siglas concorrentes a pré-candidatos tucanos sinaliza que o partido ainda incomoda, mesmo depois de perder força com a revoada de lideranças desde o ano passado.
Nova modulação é ‘arma’ do PSDB contra aliados
Caravina explica que, com a decisão final do STF, que modifica a regra de sobras, o ninho tucano encontra rota para contornar o enfraquecimento pós-perda de integrantes.
Em março de 2025, o Supremo alterou a regra de distribuição de vagas no Poder Legislativo para permitir a participação de todos os partidos políticos na divisão das sobras eleitorais.
O parlamentar pontuou que, com o quociente eleitoral estimado em 180 mil votos, a regra antiga obrigaria o partido a atingir 145 mil votos para disputar uma vaga, cenário superado pela nova jurisprudência.
A projeção do deputado aponta que o PL e o União Brasil pretendem conquistar três vagas cada, enquanto o Republicanos busca a segunda e o PT (Partido dos Trabalhadores) planeja eleger dois deputados.
Caravina argumenta que, com a nova regra de distribuição, o PSDB entra na disputa direta pelas vagas remanescentes, implicando o planejamento dos concorrentes para atingirem suas metas de bancada.
Naquele julgamento, a Corte chegou a aplicar a validade da nova regra de forma retroativa ao pleito de 2022, sem afetar a atual composição sul-mato-grossense na Câmara e no Senado.
“O STF achou injusto você não deixar o partido que não atingiu o coeficiente não poder ter representatividade — a tal da democracia representativa. Por que você vai dar mais uma vaga para o União Brasil ou para o PP, se o PSDB tem gente que pode competir?”, explicou Caravina.
“Para a política, é assim. No ano eleitoral, as vagas são limitadas. Somos todos parceiros aqui, mas todos disputando vaga, não tem jeito. Hoje o PSDB surgiu como uma força para disputar a vaga, que é uma coisa que não estava prevista [após a revoada]. O partido estava até sendo colocado como cambaleante. Quando saiu, os federais disseram: ‘Não vai a lugar nenhum; a chapa estadual vem para competir, mas a federal acabou’. Com essa montagem aí, os pré-candidatos estão se movimentando. Temos nomes competitivos, além de outros que estão chegando”, disse, mencionando Viviane Luiza, ex-secretária estadual de Cidadania, Bia Cavassa, ex-deputada federal suplente, e Professor Juari, vereador de Campo Grande.
Desistências no ninho
Mesmo com o otimismo do dirigente tucano, a estruturação da chapa federal já sofreu revés com as desistências de Paula Campo, primeira-dama de Ponta Porã, que assumirá a coordenação de campanha na região de fronteira, e de João Carlos Krug, ex-prefeito de Chapadão do Sul, que alegou motivos pessoais para se retirar do pleito.
Caravina minimizou especulações de assédio de outros partidos aos integrantes da lista tucana e classificou a disputa entre partidos do mesmo arco de aliança como “natural” do processo político em anos eleitorais.
No âmbito estadual, o PSDB consolidou a nominata com 25 candidatos definidos para a disputa às vagas na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul).
A meta do ninho é garantir a eleição de quatro deputados estaduais, com possibilidade de alcançar a quinta cadeira, a depender do volume total de votos válidos.
A composição da chapa para o parlamento estadual conta com três deputados em exercício de mandato — Caravina, Lia Nogueira e Paulo Duarte —, os ex-deputados Ângelo Guerreiro e Eduardo Rocha, os vereadores da Capital Flávio Cabo Almi e Silvio Pitú, além de lideranças regionais, como Janete Córdoba, ex-vereadora de Amambai, a vereadora Andréa Fim, de Nova Alvorada do Sul, e Flávio Dias, vice-prefeito de Coxim.
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