Riedel destaca IA nas escolas, governo digital e energia limpa para atrair empresas de tecnologia

A transformação digital entrou de vez no centro da estratégia de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Em evento realizado nesta segunda-feira (1º), em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel defendeu um modelo de Estado menos burocrático, mais eficiente na prestação de serviços e preparado para formar jovens para uma economia cada vez mais tecnológica.

A fala do governador conectou três frentes que o governo trata como complementares: a modernização da máquina pública, a ampliação do uso de inteligência artificial na educação e o aproveitamento da matriz energética limpa do Estado como ativo para atrair empresas e investimentos de base tecnológica.

Mais do que apresentar uma agenda administrativa, Riedel procurou mostrar que a digitalização, na visão do governo, precisa ter efeito concreto na vida da população. A lógica, segundo ele, é usar a tecnologia para simplificar a relação entre cidadão e poder público, reduzir etapas presenciais e tornar o atendimento mais rápido e funcional.

Foi a partir dessa ideia que o governador citou mudanças já implantadas em serviços públicos e afirmou que o foco da transformação digital não deve estar no sistema em si, mas na experiência de quem depende dele. Para Riedel, a tecnologia só faz sentido quando elimina barreiras e encurta caminhos para o cidadão.

Essa defesa apareceu de forma mais clara quando ele lembrou situações antigas de atendimento presencial em órgãos públicos, usando o Detran como exemplo de um modelo que, na avaliação dele, precisava ser superado. O argumento central foi o de que o Estado não pode continuar exigindo do cidadão uma jornada burocrática que a tecnologia já permite evitar.

Ao longo do discurso, o governador sustentou que esse processo não deve ficar restrito à parte interna da administração. A proposta, segundo ele, é construir um governo mais conectado, com plataformas integradas e serviços digitais capazes de alcançar diferentes áreas, como cidadania, assistência social e atendimento ao público em geral.

Mas foi na educação que Riedel deu maior peso político à fala. Ao tratar do uso de inteligência artificial nas escolas estaduais, ele procurou afastar a ideia de que a tecnologia possa aprofundar desigualdades ou substituir o papel do professor. O que o governador defendeu foi justamente o contrário: a incorporação dessas ferramentas como instrumento de inclusão e preparação para o mercado de trabalho.

Em sua avaliação, não faria sentido limitar esse tipo de transformação a uma parcela da população. Por isso, a aposta do governo é levar esse debate para a base da rede pública, atingindo estudantes que, em muitos casos, têm na escola a principal porta de acesso a novas oportunidades de formação.

Riedel associou esse movimento à política de qualificação profissional que vem sendo ampliada no Estado. Segundo ele, o uso da inteligência artificial precisa caminhar junto com cursos profissionalizantes, formação técnica e outras iniciativas voltadas à inserção dos jovens em um mercado cada vez mais exigente em tecnologia e inovação.

A mensagem foi clara: o governo quer usar a escola pública não apenas como espaço de ensino tradicional, mas também como ambiente de preparação para novas realidades de emprego e renda. Nesse ponto, o governador tratou a tecnologia como ferramenta de mobilidade social.

Ao responder às críticas feitas à presença da inteligência artificial no ambiente escolar, Riedel argumentou que essas ferramentas já fazem parte do cotidiano dos estudantes e que o papel do poder público é organizar esse uso com orientação pedagógica, e não fingir que essa realidade pode ser ignorada. A defesa feita por ele foi a de uma adoção guiada, com mediação dos professores e integração ao processo de aprendizagem.

Nesse contexto, o governador também deu destaque à formação dos docentes. A proposta do Estado, segundo ele, inclui capacitação para milhares de professores da rede, justamente para que a incorporação da inteligência artificial aconteça com preparo e sem improviso.

Ainda assim, Riedel fez questão de afirmar que o avanço tecnológico não diminui a importância humana da escola. Ao contrário, ressaltou que o professor segue ocupando papel central não apenas no ensino de conteúdo, mas também na formação emocional, na liderança e no acolhimento dos alunos. Foi uma forma de equilibrar o discurso da inovação com uma mensagem de valorização da educação como relação humana.

Riedel procurou mostrar que Mato Grosso do Sul já reúne condições para se posicionar além da imagem tradicional de Estado agroexportador. Segundo ele, há uma base de conhecimento, pesquisa e inovação construída ao longo dos anos que sustenta a competitividade local e pode impulsionar novos setores.

Foi nesse ponto que o governador aproximou o debate sobre tecnologia da vocação energética do Estado. Na visão dele, a forte presença de fontes renováveis e a capacidade de geração de energia limpa colocam Mato Grosso do Sul em posição estratégica para atrair empreendimentos ligados à economia digital, como data centers e empresas intensivas em tecnologia.

Ao destacar esse diferencial, sinalizou que o governo pretende vender o Estado como um ambiente competitivo para investimentos que hoje buscam, ao mesmo tempo, infraestrutura, sustentabilidade e segurança energética. A combinação entre agro, inovação e energia renovável apareceu, assim, como uma espécie de marca do projeto defendido pelo Palácio do Governo.

O discurso também reforçou uma linha que Riedel vem adotando desde o início da gestão: a de que o desenvolvimento não pode ser tratado em áreas isoladas. Ao insistir na integração entre educação, inovação, assistência, segurança pública e setor produtivo, o governador afirmou que o governo precisa atuar em rede, com projetos interligados e foco em resultado.

Politicamente, Riedel buscou associar sua gestão a uma agenda de futuro, conectada a inovação, juventude e competitividade. Administrativamente, procurou mostrar que essa agenda depende de articulação entre diferentes áreas, e não de ações soltas.

Também entrou nessa construção a defesa do fortalecimento do ecossistema de inovação, com universidades, centros de pesquisa, aceleradoras e iniciativas voltadas a startups. Para o governador, criar um ambiente favorável ao surgimento de novas soluções tecnológicas faz parte da política pública de desenvolvimento e pode ampliar as oportunidades para a juventude sul-mato-grossense.

No encerramento, Riedel voltou ao ponto que costurou toda a fala: a tecnologia, por si só, não basta. O que o governo pretende, segundo ele, é transformar inovação em melhoria concreta da vida das pessoas, seja no acesso ao serviço público, na formação educacional ou na criação de novos caminhos de emprego e renda.

 

 

 

gov/ms

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