A Polícia Federal transferiu Daniel Vorcaro para uma cela comum na superintendência em Brasília nesta segunda-feira à noite, retirando-o da sala especial onde estava alojado desde sua prisão preventiva em 19 de março — a mesma cela que abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Simultaneamente, a PF restringiu o acesso dos advogados do banqueiro. As mudanças não são administrativas. São uma mensagem.
O timing é cirúrgico e não deixa margem para outra interpretação: a proposta de delação premiada de Vorcaro foi rejeitada pela PF e pela PGR por ser considerada “fraca” — insuficiente para descrever autoridades cujo envolvimento os investigadores já conhecem por outras fontes.
Horas depois, o banqueiro perde os privilégios da cela especial e tem o acesso aos advogados restringido. A PF está comunicando a Vorcaro, de forma inequívoca, que o conforto negocial tem prazo — e que esse prazo está se esgotando.
O movimento ocorre numa semana em que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, deve assinar o termo de confidencialidade com a PF e a PGR para iniciar sua própria delação — com material potencialmente mais explosivo que o de Vorcaro.
A corrida entre delatores está se tornando uma corrida contra o relógio. Vorcaro sabe o que tem. A PF sabe o que Vorcaro tem. E agora Vorcaro sabe que a PF não está disposta a esperar indefinidamente por uma proposta à altura do que ele carrega.
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