O Ministério Público Eleitoral (MPF) subiu o tom contra o Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE) protocolado pelo Partido dos Trabalhadores em favor do empresário Aparecido Carlos Bernardo, popularmente conhecido como Carlos Bernardo.

Em manifestação protocolada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS), o procurador regional eleitoral, Silvio Pettengill Neto, defendeu que o pré-candidato permaneça inelegível até 2028, devido a uma doação ilegal que comprometeu a isonomia do pleito de 2020.
Enquanto o processo corria, o empresário das faculdades de medicina do Paraguai resolveu se filiar ao União Brasil. Isso após o PT avisar que não queria contar com votos incertos e que poderiam ser anulados.
A impugnação apresentada pelo MPF rebate a estratégia da defesa, que tenta minimizar a gravidade da doação de R$ 90 mil feita por Bernardo em Goiás. Para o órgão ministerial, os números são “extraordinariamente superiores” aos limites da lei.
O pré-candidato doou R$ 69.232,45 acima do permitido por sua renda. O valor ilegal representou 26,58% de todo o dinheiro arrecadado pelo candidato beneficiado na época. Para o MPF, é impossível ignorar que um único doador tenha bancado quase um terço de uma campanha majoritária. O procurador destacou que o dinheiro chegou à conta do candidato beneficiado no dia 13 de novembro de 2020, apenas dois dias antes da eleição.
“A injeção de R$ 90.000,00 na reta final da campanha eleitoral acarreta desequilíbrio entre os candidatos em disputa. Referido valor não deveria existir na realidade daquela campanha”, afirmou Silvio Pettengill Neto na peça processual.
O processo teve uma movimentação no dia 25 de março de 2026, o sistema do TRE/MS registrou a ciência oficial da citação por parte de Bernardo.
Com isso, abriu-se o prazo legal de 7 (sete) dias para que o pré-candidato apresente sua contestação aos argumentos do MPF. Após esse período, o relator, Desembargador Sérgio Fernandes Martins, deve encaminhar o caso para julgamento pelo Colegiado do Tribunal.
Caso Carlos Bernardo seja impendido, será a quarta baixa recente na chapa, que perdeu Jaime Verruck e Viviane Luiza após a chegada de Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende. Dagoberto e Geraldo não estavam no combinado, o que desagradou a dupla de ex-secretários, que optou por sair, assim como o deputado estadual Roberto Hashioka.
ims
