Datafolha mostra que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou mais força entre os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de março. De acordo com o levantamento, 71% da população apoia a redução desse modelo de jornada, resultado que mostra avanço em relação ao registrado no fim de 2024 e reforça a pressão em torno da proposta debatida no Congresso Nacional.

O dado revela que a maior parte dos entrevistados se posiciona a favor de uma mudança na rotina de trabalho, hoje marcada, em muitos casos, por seis dias seguidos de expediente para apenas um de descanso. Mais do que um debate trabalhista, a pesquisa indica que o tema já alcança um peso social e político relevante, ao mobilizar opiniões sobre qualidade de vida, renda, produtividade e impacto econômico.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Um dos pontos que mais chamam atenção no estudo é o perfil de quem apoia a mudança. Segundo a pesquisa, pessoas que trabalham até cinco dias por semana se mostram mais favoráveis ao fim da escala 6×1 do que aquelas que trabalham seis dias ou mais. O dado contraria a percepção de que justamente quem enfrenta jornadas mais longas seria o grupo mais engajado na defesa da proposta.

A explicação apontada no próprio conteúdo da pesquisa está na composição de quem rejeita a redução da jornada. Nesse grupo, há maior presença de autônomos e empresários, setores que associam a manutenção da escala atual à possibilidade de preservar lucros e reduzir custos com mudanças no funcionamento das atividades econômicas.

Já entre os que trabalham até cinco dias por semana, aparece com mais força o grupo de pessoas inseridas em funções nas quais a duração da jornada não interfere diretamente na renda. Isso ajuda a entender por que esse segmento tende a olhar a redução da carga de trabalho com menos resistência.

A pesquisa também detalha como é a jornada diária dos entrevistados. Segundo os dados, 66% afirmaram trabalhar até oito horas por dia. Outros 28% disseram cumprir mais de oito até 12 horas diárias. Já 5% relataram trabalhar mais de 12 horas por dia, enquanto 1% não soube responder.

Além da discussão sobre carga horária, o levantamento mediu a percepção dos brasileiros sobre os possíveis efeitos da mudança na economia do país. Para 50% dos entrevistados, o fim da escala 6×1 teria impacto ótimo ou bom. Em sentido contrário, 24% acreditam que a mudança provocaria efeito ruim ou péssimo.

Esse recorte ajuda a mostrar que, embora a proposta encontre maioria favorável, ainda existe uma divisão importante quando o assunto passa a ser o impacto econômico. O tema, inclusive, também gera divergência entre especialistas. Parte dos estudos aponta aumento de custos para as empresas, enquanto outras análises indicam que a redução da jornada não causaria efeitos significativos sobre o desemprego.

Mesmo sendo conhecida popularmente como proposta pelo fim da escala 6×1, a discussão em curso no governo federal e no Congresso tem um foco mais amplo. Segundo o texto, a sinalização do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

 

 

datafolha

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