O El Niño é um aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica e mexer com o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta. Em intervalos que costumam variar de dois a sete anos, ele reaparece com efeitos que não são iguais em todos os países, mas quase sempre ampliam o risco de extremos climáticos.
Cientistas vêm apontando que um El Niño forte, combinado com o aumento da temperatura média do planeta, pode reforçar ondas de calor, secas severas e episódios de chuva intensa. Em análise publicada pela Berkeley Earth, o climatólogo Zeke Hausfather afirmou que um evento desse tipo tem potencial para elevar a temperatura global no fim de 2026 e ao longo de 2027.
No Brasil, os efeitos mais conhecidos costumam se repetir com variações de intensidade. Em geral, o El Niño está associado a maior risco de seca na Amazônia e no Nordeste, enquanto o Sul tende a registrar mais chuva e episódios volumosos de precipitação. No Sudeste, o inverno pode ficar menos frio do que o normal, com possibilidade de calor fora de época. Essa distribuição, porém, depende da força do fenômeno e da interação com outros sistemas atmosféricos.
Apesar do alerta, os meteorologistas ainda evitam tratar como certeza a ocorrência de um “super El Niño”. O termo costuma ser usado para eventos muito intensos, como o de 1997 e 1998, mas a própria NOAA destaca que ainda existe incerteza considerável sobre a força que o episódio pode alcançar em 2026. Ou seja, o cenário mais provável neste momento é de formação do fenômeno, mas não de confirmação antecipada de que ele será recordista.
Para o Brasil, isso significa observar os reflexos possíveis sobre temperatura, chuvas, estiagem e queimadas, especialmente em regiões que historicamente sofrem mais quando o Pacífico aquece acima da média.
inmet
