Chapa do PSDB dificultará vida de deputados federais tidos como favoritos

O PSDB passou por um temporal nos últimos meses, com a saída de lideranças do partido. Primeiro foram Eduardo Riedel (PP) e Reinaldo Azambuja (PL). Depois, o trio de deputados federais: Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende.

O partido respirou por aparelhos, mas sobreviveu e agora tenta eleger pelo menos um deputado federal para fortalecer a sigla nacionalmente. Porém, já enfrenta resistência de tucanos que deixaram o ninho.

Se por um lado o partido perdeu forças, sem os chamados campeões de voto, por outro, ganhou uma chapa mais equilibrada, e com chances de eleger um federal. Isso deu ânimo aos pré-candidatos, mas também atraiu olhares nada bons dos concorrentes.

O grupo pertence a base de Reinaldo e Riedel, mas pode ser pedra no sapato das outras chapas construídas. Isso porque se o PSDB fizer um, os planos de PP/União, PL e Republicanos ficam ameaçados.

Reação

Lideranças destes partidos já sabem que o sucesso da chapa do PSDB deixará “favoritos pelo caminho”, e já lançaram o grupo na lista de inimigos.

A reportagem apurou que pré-candidatos do PSDB estão sendo procurados por lideranças destes partidos ameaçados para serem convencidos a desistirem. Com isso, dois dos nove escolhidos já declararam que não estarão mais na disputa.

Mudança na lei

O PSDB e os partidos menores ou com candidatos que não estão na lista de favoritos ganharam força com a mudança na lei eleitoral, que não exige mais 80% do quociente (divisão de votos válidos pelo número de vagas) para garantir uma vaga.

Com a mudança, qualquer partido pode conseguir uma cadeira na sobra, sem precisar dos 180 mil votos do quociente. Basta um dos candidatos conseguir 36 mil votos.

A facilidade ligou o sinal de alerta nos demais partidos. No Republicanos, Beto Pereira tem como ameaça direta Isa Marcondes e Jaime Verruck. O partido sabe que tem chances reais de eleger um e que para chegar a dois, depende do fracasso da chapa do PSDB, concorrente direto nas sobras

A situação do PP/Uniao é ainda pior. Dagoberto e Geraldo deixaram o PSDB na reta final e foram para a federação. Dagoberto foi com autorização de Tereza Cristina. Já Geraldo Resende, por imposição do diretório nacional do União Brasil, o que complicou de vez a vida de todos.

Com Dagoberto e Geraldo, o partido ficou com pelo menos quatro com expectativa de votação expressiva, mas lideranças sabem que é impossível eleger todo mundo. A chapa ainda tem, além dos já citados, Rose Modesto (União) e o deputado federal Luiz Ovando (PP). Sem o PSDB, o grupo tem chances de fazer o terceiro e apenas um ficaria de fora. Com os tucanos, apenas dois passam e é grande a chance de dois deputados não se reelegerem.

A situação da federação é parecida com a do PL, hoje comandado por Reinaldo. Com o PSDB forte, o partido dificilmente faz as três cadeiras que almeja. Com isso, pré-candidatos também têm interesse na implosão da chapa tucana.

As chances de crescimento do PP/União, PL e Republicanos também passam pelo resultado do PT, mas neste caso o grupo não consegue interferir diretamente. Embora seja difícil, o PT quer eleger dois federais. Se conseguir, dificultará ainda mais a vida do chapão governista.

 

 

ims

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